Como controlar as pragas e doenças no café orgânico?
Pragas e doenças podem prejudicar a saúde e produtividade do cafeeiro, impactando os rendimentos e a qualidade dos grãos. Eles afetam ainda fotossíntese e absorção de nutrientes, além de causar queda prematura de folhas e frutos, resultando em menor produção e problemas no sabor, aroma e aspecto do café.
No café orgânico, ao eliminar o uso de pesticidas sintéticos, é crucial buscar alternativas naturais eficazes para o controle. Para entender melhor como proceder para evitar as pragas e doenças do cafeeiro, conversei com dois produtores: Diego Carlier e José Danilo Murcia. Continue lendo para saber mais sobre eles e suas experiências.
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Controle de rotina das pragas e doenças do café
Tradicionalmente, o controle de pragas e doenças no cafezal envolve a aplicação regular de produtos químicos contra infecções fungicas e insetos, mas isso pode ter impactos ambientais e gerar resistência. De acordo com Diego, as principais estratégias são o controle agronômico, cultural, biológico e químico. “Isso vai desde o plantio de variedades resistentes até a aplicação de insumos biológicos e químicos. Embora alguns produtos químicos sejam eficazes, é fundamental reduzir o seu uso devido aos seus efeitos negativos”, ele diz.
José Danilo destaca que, na cafeicultura convencional, o método comum é o químico. E isso gera alta dependência de produtos caros e sintéticos. Em contrapartida, a agricultura orgânica visa promover a biodiversidade e o equilíbrio ecológico. “A manutenção da cultura, como a poda e a monda, tem sido crucial no controle da propagação de doenças. A remoção regular de partes infectadas e a poda adequada são medidas essenciais para limitar a propagação de agentes patógenos, promovendo um crescimento mais saudável e vigoroso”, ele afirma.
Em vez de recorrer a pesticidas químicos, a agricultura orgânica adota métodos biológicos, como a introdução de insetos benéficos, como as vespas, e a utilização de plantas repelentes.

Estratégias da agricultura biológica para os combater
Diego explica que na agricultura orgânica a introdução de organismos benéficos e o uso de plantas repelentes ajudam a manter um equilíbrio natural no ecossistema do café. “Com isso acabamos limitando a proliferação de pragas de forma sustentável.”
Em alguns países, como a Colômbia, variedades resistentes desenvolvidas por melhoramento genético tornaram a cultura biológica acessível. “Quanto melhor a resistência de uma variedade, menor a probabilidade de perdas econômicas significativas para os produtores, reduzindo os custos de controle de doenças e pragas”, destaca José Danilo. Além disso, os custos do controle das doenças e das pragas serão inferiores aos das variedades de café vulneráveis.
Apesar de ser permitido na agricultura orgânica, Diego alerta sobre a aplicação cuidadosa e pontual de pesticidas naturais, como extratos de plantas fungicidas, como neem, rotenona e sabão de potássio, que podem ser prejudiciais para organismos benéficos.
A diversificação das culturas também é crucial na redução de pragas, evitando a propagação contínua de organismos específicos. Além disso, a observação constante da saúde dos cafezais e a aplicação imediata de medidas de controle ao detectar sinais de pragas ou doenças são práticas igualmente fundamentais. Outras medidas como poda, monda e remoção de material vegetal infectado também têm lugar de destaque no controle da propagação de doenças em algumas regiões.

Prevenção: um caminho-chave
A poda é um pilar importante na manutenção de culturas orgânicas, moldando a planta e removendo partes doentes. Sendo assim, esse processo seletivo limita a propagação de agentes patogênicos, promovendo crescimento saudável.
Ervas daninhas, muitas vezes negligenciadas, podem abrigar agentes patogênicos nocivos. Remover essas plantas reduz a competição por nutrientes, água e o risco de propagação de doenças entre diferentes espécies.
A remoção de material vegetal infectado é outra medida que previne o estabelecimento e multiplicação de agentes patogênicos. Essa abordagem proativa limita a propagação da doença, mantendo a integridade genética da população de plantas.
É importante ressaltar que, embora eficazes, esses métodos têm limitações. A gestão fitossanitária na agricultura orgânica busca prevenir e controlar problemas a longo prazo, focando nas causas, não nos sintomas.
Recomendações aos produtores
- seleção de variedades resistentes: Reduz a vulnerabilidade da cultura e os custos associados ao controle constante de pragas e doenças;
- manutenção da cultura: Desempenha papel crucial na prevenção e atenuação de doenças. A poda, por exemplo, além de retirar o excesso de vegetação, melhora a circulação do ar e reduz a umidade;
- rotação de culturas: Ao alternar diferentes culturas, interrompe os ciclos de vida de pragas e doenças, evitando a acumulação e promovendo um ambiente menos propício à propagação;
- controle biológico e barreiras: Promover organismos benéficos, como vespas e fungos, é essencial. O uso de barreiras, como armadilhas, preserva o equilíbrio natural do ecossistema cafeeiro;
- gestão das doenças comuns: A utilização de pesticidas naturais, como extratos de plantas fungicidas, é adequada para a agricultura orgânica;
- evitar práticas agrícolas inadequadas: Promover nutrição equilibrada vai além da simples fertilização, fornecendo elementos essenciais para o crescimento das plantas;
- renovação das plantações: Favorecer a renovação combate o esgotamento natural das plantas e adapta o ecossistema a um ambiente em constante mutação;
- densidade de plantação adequada: Manter uma densidade que permita boa circulação de ar promove um microclima ótimo para o crescimento do cafezal.

A cafeicultura orgânica visa controlar pragas e doenças, fortalecendo o ecossistema. Com essas práticas, os agricultores protegem as culturas de forma sustentável, preservando a qualidade dos grãos.
Abandonar pesticidas sintéticos pode preocupar alguns, mas com medidas adequadas é possível controlar a saúde dos cafezais de forma natural, sem custos elevados.
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Créditos de las imágens: Diego Carlier.
PDG Espanhol
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