17 de dezembro de 2021

NOTÍCIAS DO CAFÉ – 17 de dezembro: Retrospectiva 2021 e Grandes Destaques do Café no Campo em 2021

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A cada 15 dias, o PDG Brasil seleciona as principais notícias do café para você. Veja as novidades neste boletim quinzenal.

NOTÍCIAS DESTA QUINZENA

  • Sexta-feira, 17 de dezembro – É com grande orgulho que abrimos o último Notícias do Café de 2021 contando para os nossos leitores que o PDG Brasil conquistou o 3º lugar do Prêmio Café Brasil de Jornalismo – Dr. Carlos Alberto Paulino da Costa. Promovido pelo CNC (Conselho Nacional do Café), o prêmio teve como tema “Desafios da Produção de Café no Brasil”. O artigo premiado foi “Os impactos da geada no café do Brasil”, escrito pela editora chefe do PDG Brasil, Giuliana Bastos.   
  • Sexta-feira, 17 de dezembro –  A Embrapa, em parceria com a Cooxupé, realizou um estudo para estimar a pegada de carbono da produção de café arábica no Brasil. E o resultado foi bastante positivo. Considerando os sistemas de produção nas principais regiões produtoras do Brasil (Mogiana Paulista, Cerrado Mineiro e Sul de Minas), a pesquisa constatou que o quilo de café brasileiro emite um baixo índice de gases de efeito estufa, variando de 1,9 a 4,6 kg CO2 eq/kg café, quando comparado, por exemplo, à do café colombiano, que emite cerca de 6,5 kg CO2 eq/kg café. 
  • Quinta-feira, 16 de dezembro – A Camil Alimentos divulgou que vai ingressar como acionista controladora e aumentará o capital social da Café Bom Dia e da Agro Coffee Comércio Importação e Exportação, ambas em recuperação judicial. A Café Bom Dia detém as marcas Bom Dia e Sul de Minas e a Agro Coffee atua com o comércio, importação e exportação de café. A Camil já detinha as marcas de café União e Seleto.
  • Quarta-feira, 15 de dezembro – A premiada rede de cafeterias e microtorrefação paulistana Pato Rei arrematou um lote de café super especial da Daterra, disputado por Londres e Catar, em leilão de Masterpieces da empresa. Um feito raro para uma cafeteria do Brasil. Segundo Tiago de Mello, sócio-proprietário da casa, o café, que será dividido com a torrefação uruguaia Seis Montes, apresenta notas frutadas e intensas e é um blend das variedades aramosa e laurina, com baixo teor de cafeína. A informação de quando o café estará disponível para ser degustado será divulgada nas redes sociais.      
  • Quarta-feira, 15 de dezembro – Foi lançado em São Paulo “O Guia de Cafés Especiais do Brasil” (editora Livrobits, 232 págs., R$ 85), de Lucas Teixeira Franco de Moraes. O livro, do neto do prestigiado Dr. Aldir Teixeira, reúne diversas informações sobre o universo do café, da produção a receitas, com endereços e dicas, buscando iniciar apreciadores no tema. O livro está disponível na Amazon.  
turismo de café
  • Quarta-feira, 15 de dezembro – A Coffea Trips, empresa de viagens e experiências cafeinadas da jornalista Kelly Stein, do portal e podcast Coffea, acaba de lançar um novo roteiro: Monte Alegre do Sul – 1 dia. A viagem inclui uma visita guiada pela Kelly a uma fazenda histórica de café e a uma produção de queijos finos, almoço com alimentos orgânicos e queijos deliciosos, passeio por belezas naturais da região, conversas sobre a cultura local, tudo regado a muitas xícaras de café. Mais informações no site ou por e-mail.
  • Terça-feira, 14 de dezembro – Brasileiros recorrem a marcas mais baratas de café. O preço do café moído subiu em média 35% no Brasil em 12 meses até outubro de 2021, segundo o índice oficial de inflação (IPCA), calculado pelo IBGE. Em algumas regiões a alta passou de 50%. O consumo não caiu proporcionalmente, mas os consumidores estão transitando para categorias inferiores de qualidade. 
  • Segunda-feira, 13 de dezembro – Fortes chuvas atingiram nas últimas semanas diversas áreas de produção de café no Espírito Santo e no sul da Bahia. Ainda está sendo realizado o levantamento dos danos nas áreas atingidas. 
  • Sexta-feira, 10 de dezembro – O CNC (Conselho Nacional do Café), o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), a Emater/MG (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural) e o IICA (Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura) lançaram o Programa Café Produtor de Água. Em projeto piloto a ser implementado inicialmente em lavouras de cooperados da Cooxupé, a iniciativa busca viabilizar por meio de parcerias a implementação de práticas e manejos conservacionistas e de melhoria de cobertura vegetal que contribuam para a preservação dos mananciais. 
  • Quinta-feira, 9 de dezembro – Foi divulgado o resultado do 5º Concurso de Cafés Especiais do Estado do Rio de Janeiro 2021. O vencedor da Via Úmida foi Fidelis J. de W. Rodolphi, do município de Varre-Sai, na região noroeste do estado, com um café que alcançou 88 pontos. Na Via Seca, o grande prêmio foi para Estanislau Kortka José da Silva, de Bom Jesus do Itabapoana, também noroeste do estado, com um café de 90,50 pontos. A cafeteria e microtorrefação Five Roasters fez uma parceria com o premiado degustador Elias Generoso e juntos arremataram as duas sacas campeãs: o café campeão da via úmida foi comprado por R$ 9.000, a saca, e o da via seca, por R$ 9.450,00, a saca.  

RETROSPECTIVA PDG BRASIL

Os 10 fatos mais marcantes de 2021 para a gente relembrar e finalizar o ano com a esperança renovada que 2022 será um ano melhor.

geada café
  1. Geada, seca e mudanças climáticas

2021 foi um ano novamente desafiador para cafeicultores e cafeicultoras de todo o Brasil. Além da pandemia de Covid-19, que se manteve presente ainda nos períodos de colheita e pós-colheita, muitas regiões do país foram acometidos por uma geada bastante severa em julho que atingiu 20% dos cafezais, e a seca se manteve presente ao longo do ano, trazendo impactos negativos para a safra de 2021 e de 2022, segundo já estimam especialistas. Além da seca e da geada, os produtores estão sentindo em seu dia a dia os impactos das mudanças climáticas, com chuvas fora de época e com volumes anormais e temperaturas mais altas.    

  1. Alta nos preços 

São diversos os fatores que contribuíram para a alta dos preços do café, cuja saca alcançou valor 90% maior em média neste ano. Além da seca e da geada que acometeram o Brasil em ano de bienalidade baixa (maior produtor de café do mundo), houve uma série de protestos políticos na Colômbia que impactaram embarques, um período longo de lockdown no Vietnã e problemas logísticos que impactaram a entrega para todo o mundo. O cafeicultor viu seu café valorizado, mas outros segmentos da cadeia produtiva tiveram grandes dificuldades na compra e comercialização do café com repasses de preços. O café em grãos subiu mais de 110% no Brasil, segundo a ABIC (Associação Brasileira da Indústria do Café), e a tendência é que siga subindo, batendo valor recorde em 25 anos.      

  1. Desafios logísticos 

Com lockdowns diversos e em momentos diferentes, seja nas regiões produtoras, seja nas regiões compradoras de café, a Covid-19 impactou profundamente o fluxo das entregas de café pelo mundo. Navios parados nos portos mais importantes do mundo, falta de contêineres, aviões parados, muitas entregas ficaram boa parte do ano à espera de solução. As dificuldades para embarque contribuíram para a queda de 23% nas exportações de café do Brasil em novembro, em número de sacas, em relação ao mesmo mês de 2020, segundo o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil). 

  1. Qualidade da safra 

Mesmo com todos os desafios que se impuseram, dezenas de concursos de qualidade realizados em todo o país apresentaram cafés com excelentes pontuações e grande diversidade de perfis de sabor, seja de arábicas ou de canéforas. A surpresa ficou para o premiado da Via Seca (natural) do Concurso Estadual do Rio de Janeiro, que apresentou 90,50 pontos, do produtor Estanislau Kortka José da Silva. Mas diversas regiões confirmaram: a qualidade em suas lavouras veio para ficar.    

  1. Colômbia compra café brasileiro 

A notícia pareceu inusitada ou até ficção, mas, sim, a Colômbia passou a comprar mais café brasileiro, se tornando o 7º maior comprador dos cafés do Brasil. Conhecido como grande produtor de café, o país enfrentou quebra de safra, com uma redução de cerca de 3 milhões de sacas, por conta da renovação de seu parque cafeeiro, problemas climáticos e problemas de renda. Com isso, precisou recorrer ao vizinho para garantir seu abastecimento interno. 

café sustentabilidade
  1. COP 26, mercado de carbono e agricultura regenerativa

Em 2021, com a realização da COP 26, as atenções voltaram-se ainda mais para os temas ligados à sustentabilidade. O Brasil viu seus primeiros embarques de contêineres com cafés com emissão neutra de carbono e grandes marcas deram início e fortaleceram  projetos voltados à cafeicultura regenerativa. Com isso, pequenos e médios cafeicultores e cafeicultoras do Brasil, seja por meio de iniciativas de associações e cooperativas, seja por iniciativas individuais, passaram a se dedicar mais para o assunto, buscando mapear as emissões de gases de suas propriedades, reduzindo o uso de agrotóxicos ou com um melhor manejo da água. É uma transição que se inicia lentamente, mas que já é perceptível.   

  1. Vanusia Nogueira indicada para a OIC 

Diretora executiva da BSCA (Associação Brasileira de Cafés Especiais), Vanusia Nogueira foi indicada para assumir a Direção Executiva da OIC (Organização Internacional do Café). Além de diretora da BSCA, Vanusia é conselheira do CNC (Conselho Nacional do Café), da Rainforest Alliance, da ACE (Alliance for Coffee Excellence) e da SCA (Specialty Coffee Association).

A definição sobre o seu nome na cadeira deve ser divulgada em fevereiro de 2022. 

  1. Nova portaria regulatória cria polêmica no setor 

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento abriu consulta pública sobre uma portaria referente a um novo regulamento técnico para o café torrado no Brasil. O texto da portaria causou polêmica no mercado por trazer propostas que obrigariam a novos formatos de laudos e análise, lote a lote do café torrado, criando novos (e altos) custos para todas as empresas que torram e embalam café torrado.O período da consulta já foi encerrado e diversas instituições do mercado, como ABIC e BSCA se mobilizam para ajustar a proposta para um formato mais viável. 

  1. Retomada das cafeterias e microtorrefações dedicadas ao café de qualidade 

Desde agosto, quando o processo de reabertura das cidades brasileiras se fortaleceu e com o retorno às aulas e mais circulação de pessoas nas ruas, as cafeterias e microtorrefações de café de qualidade vêm em um movimento de retomada dos negócios. Embora ainda com oscilações, estes pequenos negócios, profundamente impactados pela pandemia, voltam a ver seus faturamentos melhorarem, mas ainda enfrentam a dificuldade do preço do café. 

  1. SIC retoma evento presencial 

O Expominas, em Belo Horizonte (MG), voltou a receber em novembro a Semana Internacional do Café. Desta vez realizado em formato híbrido, presencial e virtual, o evento reduziu seu espaço e recebeu um número menor de visitantes, mas cumpriu o papel de reconectar empresas, profissionais e clientes de toda a cadeia produtiva do café, apresentar novidades e mostrar que o mercado está animado para um 2022 mais positivo.    

DESTAQUES DO CAFÉ NO CAMPO EM 2021

A equipe do PDG Brasil elegeu 10 destaques entre lançamentos e novidades do setor cafeeiro que foram destaque neste ano.

retrospectiva café 2021
  1. Nucoffee lança dois produtos inéditos: o chá da polpa de café e o café Nutracêutico, com 40% a mais de compostos antioxidantes. 
  1. Palinialves lança proposta inovadora de cilindro rotativo para fermentação controlada de cafés
  1. Cropster estreia no Brasil a ferramenta Cropster Origin, focada no controle de dados e qualidade do café na fazenda. Com a ferramenta, é possível controlar e rastrear todo o processo de pós-colheita na fazenda, controlar volumes de produção e o fator de rendimento por colheita e talhão, canais de distribuição e logística, estoque, amostras, qualidade e ainda gerar o relatório completo das colheitas. 
  1. Robustas amazônicos se destacam nos cenários nacional e internacional, como canéforas de excelente qualidade. 
  1. Cafés fermentados ganham espaço nas fazendas do Brasil, com diferentes metodologias, embora ainda haja desconhecimento técnico sobre o tema.   
  1. Pinhalense acaba de lançar a Compacta, excelente solução que promove a qualidade do pós-colheita para pequenos produtores e pequenas produtoras de café
  1. Yara lança Agoro Carbon Alliance, negócio global, com equipes em vários países, incluindo o Brasil, focado em fomentar a descarbonização do campo, promovendo iniciativas para gerar rendas adicionais para produtoras e produtores com ações climáticas positivas.  
  1. Brasil fecha o ano somando 33 regiões produtoras de café. Veja o mapa da BSCA atualizado. A cada dia que passa, mais regiões buscam identificar suas peculiaridades e ganhar reconhecimento nos mercados interno e externo. 
  1. Região Vulcânica conquista marca coletiva e se fortalece, reunindo 12 municípios de Minas Gerais e São Paulo. 
  1. PDG Brasil promove concurso A Minha Colheita PDG Brasil com a participação de mais de 300 cafeicultoras e cafeicultores e mais de 15 mil votos. O vencedor @biomacafe, com foto (acima) feita por Paulo Henrique, ganhou um curso de torra promovido pela Cropster.

O Notícias do Café é um boletim quinzenal de notícias do PDG Brasil.

Créditos: destaque/Paulo Henrique (@biomacafe); geada/Eduardo Ferreira; frutos amarelos/Fabiano Diniz.

PDG Brasil

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