22 de abril de 2024

Os campeonatos de torra estão se tornando mais populares?

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As competições são os eventos mais emocionantes e envolventes na indústria do café a cada ano. Atraindo grandes multidões em feiras e exposições, os campeonatos de café são indicadores significativos das tendências futuras na indústria em geral, continuando a cativar nosso interesse ano após ano.

Embora as competições de baristas tenham liderado o caminho em termos de inovação, especialmente o WBC, em que se pode perceber uma mudança perceptível recentemente. Nos últimos dois anos, mais e mais campeonatos de torra estão sendo realizados, com a adição mais recente sendo o Roaster Royale da MILKLAB, oferecendo ao vencedor uma viagem para países produtores e um prêmio em dinheiro de AU$ 10 mil.

À medida que os campeonatos de torra ganham popularidade, surge a questão: qual será o impacto disso no circuito de competições de café? Para entender melhor essa tendência, conversei com Tomas Serra, um instrutor autorizado da Specialty Coffee Association, e Henry Wilson, fundador do Producer & Roaster Forum.

Você também pode gostar do nosso artigo sobre se há espaço para novas competições de café.

Uma visão geral do cenário de competições de café

Anualmente, uma série de competições na indústria do café testa as habilidades, conhecimentos, criatividade e talento dos participantes, refletindo a diversidade e a inovação no setor. Entre elas, os campeonatos mundiais são os mais prestigiados, incluindo:

  • World Barista Championship (WBC);
  • World Brewers Cup (WBrC);
  • World Coffee in Good Spirits Championship (WCIGS);
  • World Latte Art Championship (WLAC);
  • World Coffee Roasting Championship (WCRC);
  • World Cezve/Ibrik Championship (WCIC);
  • World Cup Tasters Championship (WCTC).

Dos sete eventos, os WBC e a Brewers Cup são os mais aguardados, atraindo tanto profissionais da indústria quanto entusiastas ansiosos para descobrir novos cafés e técnicas inovadoras.

Ao longo dos anos, as tendências observadas nessas competições influenciaram significativamente o mercado de cafés especiais, impulsionando o uso de variedades exclusivas e até mesmo espécies “esquecidas”. Microtorrefações e cafés sofisticados frequentemente incorporam esses cafés em seus menus premium, estimulando a demanda por cafés de alta qualidade.

Além disso, a utilização desses cafés nas competições, intensifica o interesse em tais eventos, especialmente no WBC. Os competidores não apenas exploram variedades e espécies como Sidra, Ombligon e Typica Mejorado, mas também empurram os limites da extração de café expresso e da criação de bebidas inovadoras.

Por exemplo, no World Barista Championship de 2022, o vencedor Anthony Douglas surpreendeu ao incorporar leite criodessecado em sua rotina. Esse processo concentra os açúcares, gorduras e proteínas do leite, elevando a doçura e a textura na boca, demonstrando a constante busca por novas experiências sensoriais na indústria do café.

O crescimento dos campeonatos de torra

Embora as competições de baristas ainda dominem a atenção na indústria do café, os campeonatos de torra estão ganhando destaque nos últimos anos, despertando o interesse de muitas pessoas. O mais recente entre esses eventos é o Roaster Royale, promovido pela marca australiana de leite MILKLAB. Neste concurso, os participantes devem criar um blend que se harmonize bem com o leite de aveia da MILKLAB.

Outra competição notável é o Nordics Best Roaster, realizado em 2024 durante a inauguração do Nordic Coffee Fest. Com um foco prático nas habilidades de torrefação, o evento contou com a participação de alguns dos principais torrefadores escandinavos, como Coffee Collective, Tim Wendelboe e Solberg & Hansen.

O Producer & Roaster Forum também introduziu o Global Coffee Roasting Contest em 2023, com um formato de julgamento colaborativo único. Além de um vencedor técnico selecionado por juízes, os finalistas têm seus cafés servidos para degustação no PRF Brew Bar, onde todos os participantes têm a oportunidade de votar no People’s Choice.

A terceira edição do Global Coffee Roasting Contest aconteceu em março úlitmo, no PRF Guatemala, com a participação de mais de 2.000 pessoas de 50 países diferentes. Dezesseis competidores tiveram a chance de torrar seus cafés, seguindo as regras simples que envolvem a torra de dois lotes de café em 35 minutos, além de um blend.

Esses concursos refletem a crescente valorização das habilidades de torra na indústria do café e oferecem uma plataforma para os torrefadores demonstrarem sua expertise e criatividade.

Competições Simplificadas: Uma Tendência Emergente na Indústria do Café?

Embora as competições de baristas de alto nível sejam emocionantes, elas também têm sido alvo de críticas devido à falta de inclusão, diversidade e acessibilidade. Para competir, os participantes muitas vezes enfrentam altos custos com treinamento, viagens e equipamentos especiais. Financiamento adequado é essencial, mas pode ser difícil de obter.

Em resposta a essas preocupações, as competições de café têm se diversificado. Muitas agora adotam formatos mais inclusivos (como a atualização da regra do leite vegetal do WBC). A acessibilidade também é um tema importante, com alguns concursos fornecendo o mesmo café e equipamentos a todos os participantes, nivelando o campo de jogo.

Tomas Serra, que também é barista, torrador e consultor de cafeterias na Costa Rica, vê os benefícios dessas mudanças, especialmente para os profissionais de café na América Latina. “Competições de torrefação têm sido cruciais para o desenvolvimento da indústria de cafés especiais na América Latina”, diz ele. “Elas têm proporcionado aos produtores uma compreensão mais profunda da qualidade de seu café.”

Com o surgimento de mais competições de torrefação, há uma crescente conscientização sobre a qualidade do café e uma valorização dos profissionais envolvidos na cadeia de produção.

O que poderia mudar no circuito das competições de café?

Com o crescimento contínuo da popularidade das competições de café, especialmente as de torrefação, é natural esperar mais inovações e mudanças no horizonte.

Henry Wilson, fundador da PRF, aponta para o papel crucial do patrocínio nesse crescimento: “Muitos comerciantes e produtores desejam que os torrefadores usem seu café. Então aqueles com recursos estão interessados em apoiar competições.” Ele também destaca a progressão na carreira como um fator importante: “Para muitos baristas, o próximo passo é aprender sobre torrefação. Então o interesse nas competições de torrefação reflete isso.”

Tomas Serra concorda: “Cada vez mais baristas latino-americanos estão migrando para a torrefação, o que eleva suas habilidades. Eventos como o Global Coffee Roasting Contest e o PRF fortalecem a indústria, conectando produtores e torrefadores. E realizá-los em países produtores ajuda a melhorar a qualidade do café”.

À medida que as competições de torra ganham destaque, há uma tendência em direção a formatos mais simples que enfatizam a habilidade sobre o aparato. 

No entanto, a diversidade continua sendo crucial para impulsionar o setor e garantir que os campeonatos permaneçam inclusivos e inovadores.

Gostou? Em seguida, leia nosso artigo sobre se as competições de café estão se tornando mais sobre prêmios em dinheiro do que credibilidade.

Crédito das fotos: Specialty Coffee Association, World Coffee Events, Producer & Roaster Forum

Tradução: Daniela Melfi.    

PDG Brasil

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