28 de junho de 2022

Entressafra do café na torrefação: como otimizar as vendas enquanto aguarda a safra 22? 

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O momento atual é de entressafra no Brasil, ou seja, aquele momento em que o mercado ainda consome o café da safra anterior, conforme acompanha a evolução da colheita no campo na expectativa de receber novos cafés para comercialização. 

Enquanto o produtor avança com o trabalho no campo, as torrefadoras de café precisam encontrar maneiras de driblar as dificuldades naturalmente impostas pelo cenário atual, já que a nova safra de café deve entrar no mercado apenas em meados de agosto.  

Buscando entender melhor como gira o negócio neste período do ano, o PDG Brasil conversou com alguns profissionais da torrefação para saber os melhores caminhos para otimizar as vendas e garantir rentabilidade. Continue lendo para saber o que disseram.

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entressafra do café na torrefação

Instabilidade e agregação de valor

Os últimos meses foram marcados por muita intensidade para o mercado de café. Com intempéries climáticas reduzindo a oferta do produto, a passagem para a safra 22 traz novos ingredientes para o setor. Com a quebra expressiva na produção de café arábica, a indústria passou a demandar mais do café tipo conilon, mas ainda assim o resultado é de alta expressiva no custo da matéria-prima. 

Nesse sentido, Márcio Oliveira dos Santos, CEO da Muy Café, explica que a maior dificuldade está justamente em conciliar a programação de compra dos grãos em um mercado que está cada vez mais volátil. “Porém apostamos num futuro de positividade, onde nosso olhar para o mercado, apesar de volátil, é muito promissor”, afirma. 

A Muy Café é uma empresa que se dedica 100% à torrefação de cafés especiais, e por isso trabalha com o objetivo de fazer com que os produtos conversem com o café especial, o que tem sido uma boa alternativa para agregar ainda mais valor ao produtor e chamar atenção do consumidor final. 

Para Márcio, saber explorar esse universo do café com outros produtos é o grande diferencial para otimizar as vendas mesmo em momentos de certa instabilidade no mercado. 

“Nossa torrefação cumpre um papel importante de instruir o consumidor entrando no universo de cafés especiais, onde também replicamos para o mercado local, com workshops e cursos com profissionais renomados”, comenta.  

café no brasil

A importância da comunicação

Com o negócio instalado na região norte do Brasil, Aldo Bitencourt, da Kalena Café, destaca que os desafios começam muito antes do consumo final. Por se tratar de uma região mais distante das áreas de produção, automaticamente o custo do frete também é mais elevado.

Para as torrefações mais distantes das origens produtoras, Aldo explica um método de trabalho que tem dado certo: buscar por empresas que fazem compras de café em maior quantidade e fazem esse estoque para garantir que a demanda seja atendida.

“Aqui temos que ser mais democráticos para sobreviver, não dá para ser uma cafeteria ‘nórdica’ que serve café e umas quatro coisas para comer. Aqui não podemos cobrar R$ 20 ou R$ 8 por um espresso. As pessoas se recusam a  pagar”, acrescenta. 

Para Aldo, o grande trunfo para conseguir passar por esse período de entressafra é justamente fazer um controle maior do estoque, sem deixar com que o café “envelheça” por muito tempo na cafeteria. A criação de novos blends também é uma opção para garantir que as vendas continuem dentro do esperado e que o consumidor final continue recebendo um café de qualidade na xícara.

“Posso fazer algumas ações promocionais para vender, mas aqui não aconteceu ainda porque não ficou café antigo. E acho que o legal é fazer degustações para que o pessoal comece a conhecer ou usar para cursos”, afirma. 

degustação de café especial

A cafeteria Kalena também atua fortemente nas mídias sociais e, sendo publicitário de formação, Aldo vem utilizando as redes sociais para, inclusive, garantir além de boas vendas, não fechar as portas durante a pandemia.

“A gente criou um voucher de pré-compra e conseguimos levantar uma boa quantia. Acho que foi uma das maiores vaquinhas que teve no Brasil. Nós pedimos para a galera comprar um voucher para quando acabasse a pandemia utilizar o que pagaram. E foi muito bacana, deu muito certo mesmo”, relembra. 

Mudar as embalagens de café também foi uma sacada para garantir o retorno do cliente. A cafeteria passou a utilizar um refil de grão de café, que o consumidor final pode encher a cada vez que visita o local. Para animar as vendas nos próximos meses, Aldo destaca que a marca deve lançar um clube de assinatura, garantindo também o retorno dos clientes e a maior venda de café.

“Eu faço muito reels, muito stories e isso ajuda muito, as pessoas se identificam. Jogo muito pro lado emocional porque para mim o café especial é uma experiência emocional, não é uma experiência racional de compra. É uma experiência de gostar, de querer mesmo, de afeto. Para mim café é isso e é isso que a gente passa nas redes”, comenta. 

qualidade do café

Dicas para enfrentar a entressafra

Entre as dicas de estratégias por este momento, os especialistas ressaltaram alguns pontos importantes para lidar com o mercado:

  1. Estar sempre em linha com o produtor. “Seu aliado é o produtor, peneiras mais baixas de cafés mais pontuados são mais baratas”, explica. 
  2. Entender o próprio mercado de forma muito individual, apostar nos clientes que já são fiéis para uma nova compra de cafés. 
  3. As ações promocionais também são bem-vindas. Para Márcio, esse tipo de trabalho traz visibilidade, fidelidade e fortalecimento da marca, e consequentemente novos clientes. 
  4. Controlar o estoque é fundamental para evitar que o período de entressafra seja ainda mais delicado. “Nós usamos o Cropster para isso, saber quais grãos tem uma vida útil menor faz toda a diferença na tomada de decisões. Por exemplo, fazer promoções do seu estoque de grãos crus que já não estão no seu ápice de sabor”, afirma. 
  5. Ter cafés de regiões com colheita posterior (ou tardia), como Caparaó ou Chapada Diamantina, ajudam a ter um fôlego com cafés ainda bons nesse período de entressafra.
  6. É importante também o bom armazenamento do café verde, seja do próprio café (em embalagens que preservem mais suas características) seja das sacas (em armazéns com temperatura controlada).
  7. Entressafra é um assunto para quem produz e para quem comercializa, não para quem toma o café. Para Márcio, a pauta “entressafra” não deve ser debatida com o consumidor final, para ele esse é um assunto que deve se manter dentro das ações internas da empresa, sem a necessidade do período atual. 
café no brasil

As estratégias de venda e comunicação são apenas alguns dos aspectos a serem considerados para otimizar a comercialização de café nesse período de entressafra. O relacionamento com os produtores e consumidores também pode contribuir para conseguir rentabilizar cafés que não estão em seu melhor momento. 

Agora é colocar a cabeça pra funcionar e criar um plano para os próximos meses para garantir um bom fluxo de vendas e seguir agradando aos apreciadores. 

Créditos: Jon Stanford (destaque/café torrado); Divulgação Muy Café (café sendo torrado, análise do café e Márcio no trator); Divulgação Kalena Café (Aldo jogando café; e degustação no Kalena).

PDG Brasil

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