23 de abril de 2021

Quatro dicas para desenvolver programas de educação sobre café

Nos últimos anos, a educação sobre café tem se tornado cada vez mais popular em todo o setor. A ascensão de aulas, seminários, webinars, oficinas, e eventos virtuais são prova disso. As pessoas estão constantemente procurando aprender coisas novas, aperfeiçoar as suas competências e fazer o setor avançar.

E existe um benefício comercial nisso. Além de ser uma outra fonte de renda, a educação sobre café proporcionar ao cliente o prazer de aprender algo novo.. Pode incentivar o cliente a voltar, ao mesmo tempo que melhora o conhecimento e desenvolve habilidades.

Para saber mais sobre como é um bom programa de educação sobre café, falei com educadores de café de todo o setor. Com a sua visão, reunimos quatro dicas-chave que qualquer pessoa que esteja desenvolver um programa de educação sobre café deve considerar. Continue a ler para saber quais são elas.

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DICA # 1 – COMECE TREINANDO OS SEUS TREINADORES

Para criar e executar um programa que atraia, envolva, e retenha clientes, você precisa, em primeiro lugar, se certificar que seus instrutores estejam bem treinados.

Lauren Lathrop é um educador em Mill City Roasters, em Minnesota. Ela diz que muitos programas de educação falham porque as empresas não treinam seus instrutores.

“Muitas vezes, a integração e o treinamento são comprometidos, quando o instrutor, que é líder da equipe ou gerente, é um excelente profissional de café, mas não um instrutor eficaz”, afirma.

Empresas de café geralmente nomeiam seu empregado mais antigo ou o mais experiente para conduzir os treinamentos, sem prepará-los apropriadamente para a tarefa.

Kathy Altamirano é gerente regional do Counter Culture Coffee no Texas. Ela diz que é comum que este tipo de funcionário acabe como gerente ou como barista líder – mas adverte que você nunca deve supor que o profissional sendo proficiente no que faz, também é capaz de ensinar. 

Lauren sugere primeiro “treinar os seus instrutores”, já que isto irá ajudá-los a desenvolver um curso que eduque os clientes de uma forma acessível e envolvente.

“Achei o curso Instrua o Instrutor útil”, afirma. “Ele detalha o que os professores precisam aprender e as competências que eles devem ter. É um ótima forma para os instrutores começarem a criar um currículo.”

DICA # 2 – ENSINE ATRAVÉS DA EXPERIÊNCIA

Depois de treinar seus instrutores, você vai precisar se certificar de que esteja conectando o público ao currículo que você está oferecendo. A retenção é essencial; se o seu programa não for envolvente, não será memorável.

Fornecer experiências relacionadas com o tópico é sempre uma boa maneira de começar. A pesquisa mostra que a retenção de conteúdo melhora drasticamente quando os alunos podem ligar detalhes específicos a uma experiência da qual vão se lembrar sempre.

Por exemplo, Kathy diz que pede aos alunos para usarem o olfato e cheirarem balas de goma para demonstrar como o aroma afeta o sabor. Esta atividade, conta, mostra quantos sabores, dos que nós provamos, realmente derivam  do nosso olfato. 

Lauren e Kathy também observam que dedicam tempo para explorar a viagem da semente à xícara, bem como a história da produção de café e do colonialismo.

Lauren fala sobre isto enquanto tira uma dose de café espresso e, então, explica que qualquer café desperdiçado é um desserviço a quem trabalhou arduamente no seu cultivo.

Ao inserir experiências como essa em seu programa de educação, os participantes terão maior facilidade de manter o que você lhes ensinou.

DICA # 3 – ENSINE SEU CLIENTE

Lauren conta que uma das perguntas que ela mais ouve é como as torrefações podem encontrar mais clientes de atacado. Ela responde dizendo que a melhor maneira de as pequenas torrefações competirem contra os grandes é conectar os clientes ao seu produto através da educação.

“Digo aos nossos novos clientes que é necessário se tornar um especialista no produto, não só em como fazer a torra, mas também explicar de onde ele vem, como é o seu sabor e assim por diante”, afirma Lauren.

Ao transmitir este conhecimento para clientes de atacado, os torrefadores podem fortalecer as relações comerciais existentes e fornecer valor adicional.

“Se você puder fazer isso, poderá estabelecer uma conexão pessoal com seus clientes de atacado de uma forma que algumas das maiores empresas talvez não consigam fazer”, acrescenta.

“As pessoas querem estar conectadas ao café que estão comprando. Os clientes querem saber o que há em cada blend, como deve ser o sabor e como extraí-lo. Esse tipo de [informação] detalhada tem de vir da torrefação.”

O mesmo se aplica também aos clientes de varejo. Compartilhando conhecimentos detalhados com os consumidores, como a origem de um café, como é feita a torra, como preparar o café e que sabor ele terá, eles irão se sentir mais envolvidos.

Ao educar os clientes desta forma e ao responder a estas perguntas, os cafés e os torrefadores podem estabelecer uma conexão com os clientes, de forma que as redes maiores muitas vezes não conseguem.

Kathy até observa que um bom treinamento não precisa ser presencial, o que é muito pertinente durante o Covid-19. Ela diz que os proprietários e os torrefadores de café podem se conectar com os clientes em casa, através de aulas online, e preparar a equipe para organizar eventos e tutoriais educacionais online.

DICA # 4 – NÃO SE ESQUEÇA DA SUA EQUIPE

Embora a formação e a educação sejam muitas vezes vistas pelas empresas cafeeiras como uma oportunidade para chegar a mais clientes, também é importante olhar para dentro.

Se sua equipe for bem treinada, é mais provável que permaneça leal a seu negócio por mais tempo. Mostrando o quanto você está disposto a investir em sua educação, eles se sentirão valorizados e entenderão que têm um futuro no negócio.

Por sua vez, esses membros da equipe também podem replicar seus conhecimentos e paixão aos clientes, e efetivamente passar sua educação para mais pessoas. E isto provavelmente irá melhorar a sua capacidade de atrair e reter clientes.

Lauren acrescenta que ter baristas altamente treinados na equipe mostra aos funcionários mais novos que eles podem aprender, desenvolver e crescer com seu negócio.

“Os novos funcionários veem que trabalhar conosco não será apenas mais um trabalho, mas sim algo que podem aprender a fazer bem”, afirma. “Oferecer um currículo com aprendizagem personalizada inicial e contínua é muito importante”, diz ela.

Don Lawrence é um instrutor certificado SCA no Intelligentsia Coffee, em Chicago. Ele diz que a educação melhora os níveis de qualidade em toda a empresa e não deve ser ignorada ou apressada.

“O treinamento aumenta os custos, mas sempre que um  funcionário novo entra, os custos de treinamento irão aumentar… isso deve ser uma prioridade desde o início.”

No entanto, ele observa que qualquer curso de treinamento bom deve equilibrar o conhecimento de café com as habilidades das pessoas.

“O serviço ao cliente deve ter precedência”, diz Don. Certifique-se de que os baristas saibam responder as perguntas básicas ou aprofundadas dos clientes enquanto estão vaporizando o leite ou tirando um espresso.

“Não treine baristas para se esconder atrás da máquina de café espresso ou do processo de fazer bebidas.” 

Seja qual for o público, desenvolver e entregar um programa de educação sobre o café não é fácil. Pode ser caro e demorado, e muitas vezes os benefícios levam algum tempo para aparecer.

Entretanto, quanto mais pessoas você educa sobre o setor do café, mais envolvidas elas ficarão com seu negócio a longo prazo. Além disso, o desenvolvimento de um currículo personalizado pode ser uma excelente maneira de aumentar a habilidade da sua equipe de funcionários.

A cada dia que passa, o treinamento, a educação, o conhecimento e a colaboração aumentam ainda mais o interesse no setor cafeeiro. Se estiver planejando criar o seu próprio programa educativo, tenha estas quatro sugestões em mente.

Traduzido por Daniela Andrade

Crédito das imagens: Julio Guevara

PDG Brasil

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