6 de julho de 2020

Como Garantir a Qualidade Durante o Transporte e Armazenamento do Café Verde

Depois de deixar a usina de beneficiamento, o café viaja por milhares de quilômetros e passa por inúmeras mãos antes de chegar na torrefação. Ao longo desta jornada, pequenos erros no transporte e armazenamento do café verde podem causar graves consequências na qualidade dele.

Para descobrir como exportadores, importadores e torrefadores podem proteger a qualidade do café, conversamos com Diego Lara, especialista em mercado global de cafés da GrainPro, fabricante de embalagens herméticas e impermeáveis para o grão de café, com patente registrada nos EUA. Conversamos também com alguns clientes da empresa: Jason Long, CEO da Cafe Imports ; Alejandro Cadena, CEO da Caravela Coffee, empresa de importação e exportação ; e Sebastian Villamizar, CEO da La Palma Y El Tucán, uma premiada fazenda colombiana de café, com foco em exportação.

Então, aqui está o que eu descobri.

Leia esse artigo em espanhol: Cômo Asegurar La Calidad del Café Verde Almacenado y en Tránsito

Na fazenda colombiana premiada La Palma Y El Tucan, o café é embalado nas GrainPro Bags antes de ser enviado para o exterior. Crédito: La Palma y El Tucán

Os 3 maiores riscos para garantir a qualidade do café

Três pontos importantes surgiram diversas vezes durante as entrevistas: umidade , temperatura e tempo. Isso não significa que são os únicos fatores dos quais você deve estar atento (prejuízos causados por insetos é um exemplo), mas certamente são as preocupações mais comuns ​​e, portanto, mais importantes.

Sebastian Villamizar, do La Palma Y El Tucán, comentou: “Às vezes, as pessoas não vêem o armazenamento como uma parte crítica para a qualidade do café… [mas durante o armazenamento] o café absorve água com muita facilidade, fazendo com que o nível de umidade no grão se eleve facilmente”. E se o teor de umidade do grão verde oscilar, ele explica, pode desenvolver alguns defeitos, incluindo os sabores fenólicos.

Esse é um desafio particular, ele comenta, em áreas com altos níveis de umidade – que descrevem muitas regiões produtoras. Em sua fazenda, ele diz que “a umidade relativa média é de 80%”.

Ele vê a aquisição de embalagens herméticas como um investimento. Embora os sacos GrainPro possam ter um valor mais elevado, ele reconhece que vale a pena.

Jason Long, da Cafe Imports, concorda, acrescentando que “como comerciante de cafés especiais, é importante proteger o grão. Se o café chegar em péssimas condições, você poderá reivindicar aos exportadores, mas o valor devolvido não compensará a perda financeira do investimento realizado.”

Importante observar que as variações de temperatura também afetam a umidade relativa do ar e, portanto, o teor de umidade dos grãos verdes – a menos que o café esteja armazenado em embalagens herméticas, é claro. É por isso que tanto a umidade quanto a temperatura deverão ser igualmente controladas.

Caso ocorram problemas em relação à umidade ou a temperatura, a exposição prolongada poderá piorar o abalo sofrido pelo grão – tornando o tempo outro ponto importante a ser considerado.

Diego Lara, da GrainPro, diz que às vezes os grãos de café são armazenados por meses antes do uso pelo torrefador, por isso é importante garantir que eles estejam bem armazenados. Caso contrário, ele explica, “poderá ocorrer de [o torrefador / importador] perder excelentes sacas, gerando prejuízos”. Ele enfatiza a importância do uso das bags herméticas para proteger o café.

E não esqueça que mesmo os planejamentos mais cuidadosos podem passar por problemas. Diego me conta sobre um  cliente da GrainPro cujo um contêiner de café de boa qualidade foi perdido em trânsito por duas a três semanas – uma situação de pesadelo para qualquer torrefador ou importador.

O cliente estava muito preocupado que o tempo prolongado no mar, e consequente aumento da umidade, pudesse estragar o café. No entanto, quando finalmente foi encontrado no porto de Oakland, os grãos haviam sido armazenados nas bags herméticas GrainPro e permaneciam em ótimas condições – um alívio para todos os envolvidos.

Vamos analisar, da fazenda até a torrefação, o que pode ser feito para garantir que os grãos sejam bem armazenados, não importa onde eles estejam ou a que níveis de umidade sejam expostos.

Em Finca Oná, Guatemala, o café é armazenado no sistema GrainPro® Cocoon Indoor para protegê-los da umidade e do excesso de luz no armazém. Crédito: EGS Guatemala.

Assinando o contrato

Depois que o café é colhido, processado e seco, ele aguarda em um armazém até ser comprado e transportado para exportação.

O contrato deve especificar detalhes como qualidade, quantidade, preço, pagamento, condições de entrega e muito mais. E, nesse ponto, as condições de transporte e armazenamento do café podem ser negociadas e assinadas.

Diferentes países podem ter diferentes padrões nos termos do contrato. No entanto, o The Coffee Exporter’s Guide (Guia do Exportador de Café) da International Trade Center (ITC) sugere consultar a European Coffee Federation e a Green Coffee Association para obter os contratos mais usados.

grain pro

Cafe Tuxpal, de El Salvador, carregando os cafés nas GrainPro Bags. Crédito: GrainPro

Na Fazenda ou na Usina de Beneficiamento

Antes do café sair da fazenda ou da usina de beneficiamento, é importante garantir que ele esteja efetivamente seco. Os melhores sistemas de armazenamento e transporte serão inúteis se o grão estiver muito úmido.

De fato, Jason me diz que as bags herméticas “podem agravar o problema” caso o grão esteja insuficientemente seco. Assim como a umidade não pode entrar nas bags, também não pode sair. Ele enfatiza que o café mal seco nunca chegaria bom ao seu destino final, contudo a pontuação da xícara poderia cair ainda mais caso estivesse em sacos de juta.

Bons sistemas não podem compensar produtos de baixa qualidade.

Saiba mais! Leia: Como Melhorar a Qualidade do Café na Colheita e Beneficiamento

No armazém geral do país de origem

Entre a assinatura do contrato e a exportação do café, é importante prestar muita atenção sobre onde e como o café estará sendo armazenado. Quais são as condições do armazém? Quais bags estão sendo utilizadas? A qualidade está sendo rotineiramente verificada?

Alejandro Cadena, da Caravela, recomenda “armazenar o café em pergaminho”, dentro de bags herméticas e protetoras. Isso evita que o grão verde entre em contato direto com o ar, ajudando a prolongar sua longevidade.

Antes de utilizar as bags herméticas da GrainPro, ele conta, “perdíamos cerca de 2-3% do nosso café porque ele absorvia umidade em nosso armazém… O GrainPro foi uma revolução no setor”.

No entanto, é importante garantir que os funcionários da fazenda ou da usina saibam como usar e selar corretamente as bags herméticas. Diego explica que o GrainPro tem fornecido treinamento em toda a América Latina e África sobre como armazenar café nas bags individuais, bem como as melhores condições de estocagem e armazenamento do café. Eles também imprimiram materiais nas próprias línguas dos produtores incluindo alguns desenhos com sinalizações simplificadas.

Não faz sentido solicitar que um produtor use um produto ou sistema específico se não estiver familiarizado com isso – ou se não puderem entender o treinamento porque os materiais estavam apenas em inglês.

Da fazenda ao porto…

Agora, é hora do café ser transportado da fazenda ou usina de beneficiamento para um porto. Antes de carregar os grãos no contêiner, o Guia do Exportador de Café da ITC recomenda uma inspeção cuidadosa. Preste atenção ao teor de umidade, cheiros e quaisquer sinais de infestação. Embalagens herméticas impedirão que insetos entrem no café; no entanto, se você usar apenas os sacos de juta, poderá ficar vulnerável a danos causados ​​por insetos durante o transporte.

Alejandro me disse que, agora que a Caravela usa as bags herméticas, “não nos preocupamos com a condensação no contêiner … também não nos preocupamos com perfurações ou orifícios existentes no contêiner”.

Antes disso, eles “costumavam colocar sacos [dessecantes] dentro dos contêineres para evitar a condensação”, além do revestimento de papel. Isso acrescentava custos extras, mas não era eficaz.

transporte e azmazenamento do café

Uma remessa de café partindo de Buenaventura, Colômbia, com destino a Nova York, é embalada no GrainPro® TranSafeliner™, projetado para proteger os grãos nos contêineres. Crédito: GrainPro

… E de porto em porto

A menos que o café seja para fins de amostragem e degustação (nesse caso, normalmente será enviado por frete aéreo), ele geralmente viajará por terra e por mar. É no porto que a responsabilidade pelo café geralmente muda de mãos.

Quando negociado nos termos “Free on Board” (FOB) , a responsabilidade legal de um produtor ou exportador pela qualidade do café, termina quando “as mercadorias passam pelo trilho do navio no porto de embarque”, de acordo com o Guia do Exportador de Café da ITC . Nesse ponto, a responsabilidade é transferida para o importador.

No entanto, todos devem prestar muita atenção em cada etapa do transporte e armazenamento. Garantir que o café seja da mais alta qualidade possível protege o relacionamento e a reputação de todos os envolvidos.

Jason concorda, dizendo que “toda a cadeia” precisa de atenção. Como importador que negocia nos termos FOB, ele diz que a Cafe Imports toma muito cuidado ao investigar com quem se associar localmente. Sebastian compartilha dessa crença, acrescentando que você não deve negligenciar a importância da escolha de traders e fornecedores de embalagens confiáveis.

Em outras palavras a qualidade do café agora é da responsabilidade dos torrefadores e importadores – mas não pense que você deve ser complacente com os estágios anteriores a isso.

Isso inclui o tempo no porto antes do café ser embarcado no navio. Jason explica que normalmente os índices de temperatura e umidade nos portos são altas. “O tempo gasto em um porto pode ser desastroso para o café … Mombasa, no Quênia, chega a 40 ° C e 99% de umidade. Então, você definitivamente quer minimizar o tempo no porto.”

No porto e armazém de destino

Há poucas coisas que você pode fazer com o café quando ele está no navio, além de manter a esperança de que ele chegue rápido. No entanto, você pode garantir que sua carga não sofra atrasos alfandegários na chegada e que você esteja adequadamente segurado.

Quando o café chega ao porto de destino, ele é descarregado e os documentos e condições são verificados. Então, é hora de ser transportado para o armazém final.

No caso da FOB, o importador é responsável por segurar a carga e verificar o contêiner na chegada quanto ao peso, umidade e quaisquer condições incomuns antes de fazer uma reclamação (o Guia do Exportador de Café da ITC ).

Cuidado: O Guia do Exportador de Café também afirma que, a menos que seja especificado de outra forma, “danos causados ​​por seleção inadequada de recipiente, revestimento ou estiva inadequada etc. nunca fazem parte da cobertura do seguro para a FOB” e que os importadores devem trabalhar com os exportadores para abordar essas preocupações. (Esse é outro motivo pelo qual é importante prestar atenção ao armazenamento e transporte antes da troca legal de responsabilidades.)

Além disso, verifique os requisitos alfandegários do país para o qual está importando o café. Isso varia de papelada e certificação ao tamanho das bags. Por exemplo, Diego explica que, em partes da Europa, o café precisa ser importado em embalagens menores. O GrainPro lançou sua sacola de 15 quilos em resposta a isso, bem como para direcionar solicitações de clientes como Sebastian.

Sebastian acrescenta que o fechamento com zíper é útil para essas amostras menores, já que a alfândega pode facilmente verificar as bags e selá-las novamente. Você não precisa arriscar que o café seja reembalado incorretamente por funcionários não treinados no porto, causando ganho de umidade nos grãos durante os estágios finais da jornada até a torrefação.

Por fim, assim como no armazém de origem, verifique se o armazém de destino também tem boas condições de armazenamento do café, e se ele também foi bem embalado.

armazenamento do café

Do armazém às torrefações

Se o café chegou em segurança a um armazém com temperatura controlada e teor de umidade, você está quase no final da jornada da fazenda para a torrefação.

Agora, os importadores devem entrar em contato com seus parceiros de torrefação para organizar os cuppings. Certifique-se de que o café seja reembalado adequadamente depois de aberto; pode ser necessário fornecer instruções a esses parceiros sobre como fazê-lo. Diego me disse que o GrainPro fornece materiais de treinamento e que, se grandes empresas precisarem de um tipo específico de treinamento ou vídeo, também poderão criá-lo.

Jason conta que a chave é continuar “minimizando a exposição a tudo [calor e umidade]”. Com base em sua experiência, armazenar café em sacos herméticos de proteção “mantém alto o nível de qualidade dos cuppings” por um longo período.

Crédito: Sunghee Tark

A viagem da fazenda até a torrefação é longa e complexa. O café viaja por vários portos e por diversas formas de transporte. Para garantir que o café especial permaneça com a qualidade alta, é importante prestar atenção especial aos sistemas de transporte e armazenamento em cada estágio, assim como aos processos de recebimento dos grãos verdes.

Trabalhe com os parceiros certos, seja meticuloso aos detalhes e, acima de tudo, mantenha seus grãos de café longe do calor e da umidade.

Traduzido por Daniel Teixeira

Observação: este artigo foi patrocinado pela GrainPro

PDG Brasil

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