29 de junho de 2020

Como Projetar uma Máquina de Espresso? Ideias de 5 Fabricantes

A máquina de espresso: é provavelmente o equipamento mais importante em qualquer cafeteria. Porém, ela tem um papel muito mais importante do que simplesmente fazer café, o que soa como um sacrilégio.

Uma peça de destaque em todas as bancadas, uma máquina de espresso pode ajudar a estabelecer a marca de uma cafeteria, melhorar o fluxo de trabalho e criar melhores experiências de café. E nem preciso dizer que muita reflexão e atenção aos detalhes foram colocados em seu design, especialmente quando se trata de uma máquina de alta qualidade. Os componentes internos precisam fazer o seu trabalho no dia a dia. No entanto, é no exterior onde os designers podem realmente se exibir.

Portanto, se você quer saber como alguns dos mais renomados fabricantes de máquinas de espesso projetam esses fabulosos equipamentos, continue lendo.

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Crédito: La Marzocco.

La Marzocco

La Marzocco é um dos maiores nomes do ramo. Eles projetam e constroem máquinas de espresso desde 1927 e, com décadas de experiência, são conhecidos por suas máquinas excepcionais.

Porém, a companhia com sede em Florença sabe que a aparência também não deve ser negligenciada. “A estética desempenha um papel importante e caminha lado a lado com o objetivo funcional”, diz o designer da La Marzocco, Stefano Della Pietra.

A equipe acredita que o principal papel do design é facilitar o relacionamento entre o barista – ou quem quer que esteja olhando a máquina – e a tecnologia que ela contém. O design representa o ponto de entrada para entender o equipamento.  

“Quando você visualiza uma nova máquina, tem que começar a estruturar o design do ponto de vista da funcionalidade. O processo sempre começa de dentro para fora”, explica Della Pietra.

Ele acrescenta que “o design é muito importante uma vez que nele reside a declaração da marca e vice-versa. Uma atenção meticulosa é colocada em cada detalhe, desde a escolha do material até a posição de cada componente, a cor, o formato e a interface do usuário do exterior.”

Segundo a La Marzocco, suas máquinas de espresso representam objetos de beleza e utilidade feitos sob medida, algo que se estende não apenas aos detalhes estéticos, mas também ao serviço e à experiência do usuário. “Cada novo design será considerado bem-sucedido e bem concebido se respeitar a tradição e convencer o barista a usar a máquina. Também deve facilitar a produção da máquina e facilitar, ao máximo possível, sua manutenção”, conclui Della Pietra.

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Crédito: La Marzocco

Sanremo

Outro conhecido fabricante italiano de máquinas de café espresso é a Sanremo. Sediada em Treviso, a empresa é um ambicioso negócio familiar com aproximadamente 50 anos de experiência. Eles colocam bastante ênfase no design; de fato, eles descrevem suas máquinas como “impulsionadas pelo design e pela inovação”.

Então, a Sanremo projeta suas máquinas de dentro para fora ou de fora para dentro? “Há casos em que nós começamos a projetar primeiro o exterior para, somente então, passar para os componentes internos da máquina e outros onde, pelo contrário, adotamos um processo inverso”, afirma Carlo de Sordi, Gerente de Vendas e Marketing.

Além disso, a empresa acredita que a identidade da marca é fundamental. “É por isso que tentamos enfatizá-la o máximo possível em todo o mundo”.

Eles acreditam que customização, embora desafiadora, sempre vale a pena. “A personalização traz muitas dificuldades, o que é verdade para a maioria das coisas bonitas, mas elas também são as mais interessantes”, segundo de Sordi.

Além disso, ele acredita que o mundo do design das máquinas de café espresso está mudando. “Nós teremos a máquina de café espresso de ponta com um design cada vez mais sofisticado, altamente detalhada e emocional também. Essa será a arma vencedora”, diz ele. “Depois teremos uma máquina de espresso básica com um design minimalista, onde o desafio será combinar design com custos de produção mais baixos. Como resultado, o meio-termo, que não se encaixa nessas duas categorias, estará em risco.”

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Crédito: Sanremo.

Slayer

Uma das crianças mais novas no pedaço é a Slayer, sediada em Seattle. Há cerca de uma década, suas máquinas ousadas e de alta tecnologia e entraram no mercado da terceira onda. A combinação de design de impacto e produtos de qualidade chamou logo a atenção.

Como diz o Designer líder Chris Flechtner, “o meu objetivo é projetar produtos que são herança, bens valiosos que não são considerados descartáveis… Isso requer um design atemporal em que a integridade e a autenticidade dos materiais escolhidos e acabamento sejam respeitados”.

Mas por que eles valorizam tanto o design?

“Seja em uma casa ou em um café, cada polegada quadrada da área da bancada é nobre”, afirma Sarah Dooley, Diretora de Sucesso do Consumidor da empresa. “É deste lado da bancada que trabalhamos e servimos nossos hóspedes e entes queridos. O equipamento de serviço do café deve ser focado às necessidades do fluxo de trabalho, simplificando e auxiliando a produção de deliciosas bebidas artesanais.

A Slayer acredita que a máquina no topo do balcão não deve ser uma caixa quadrada originada de uma forma de cortar biscoitos, roncando, assobiando e gotejando água marrom. “Consideramos o barista um artista e o cliente como um hóspede sentado em um espaço VIP. Uma máquina de café espresso deve ir além para estabelecer um cenário bonito, com altura, dimensões, curvas e ergonomia intencionalmente apropriadas que apenas aumenta os benefícios de uma comunicação genuína ao mesmo tempo que apela aos sentidos. Por que não fazer o show inteiro mais memorável… e até viciante?

Minha próxima pergunta foi como a Slayer começa a projetar um produto. “Sabemos mais ou menos as dimensões básicas com que trabalhamos para uma máquina de espresso”, diz Jason Prefontaine, Fundador e CEO da Slayer. “Portanto, de certa maneira, iniciamos de dentro. A partir daí, projetamos o lado de fora, e então, descobrimos como unir as partes de maneira que dê certo.”

Personalização é outro ponto que eles consideram: “personalização gráfica, cores exclusivas e, às vezes, novas abordagens para a modificação de máquinas, tudo precisa ser gerenciado de perto de maneira que a máquina seja produzida sem problemas e entregue em tempo”, segundo Flechtner. “Dependendo da complexidade da modificação, pode ser um desafio logístico gerenciar muitos fornecedores distintos.”

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Crédito: Slayer

Synesso

A Synesso, com sede em Seattle, afirma que nasceu do desejo de trazer ao mercado a máquina de espresso comercial com maior estabilidade de temperaturas, e desempenho é a sua principal preocupação.

“A estética sempre faz parte do nosso processo de design, mas nosso foco principal é sempre o quão bem a máquina desempenhará e sua confiabilidade”, diz Sarah Palmer, Gerente de Vendas Global. “Vemos um grande valor em ambos, design e desempenho”.

Isto não significa que o design seja negligenciado – quando planejaram a S200, Palmer diz que eles “começaram com o design – mas foram cuidadosos para não supervaloriza-lo. “Queremos garantir que a identidade da nossa marca esteja comunicada no design que desenvolvemos, mas no fim do dia, queremos ter certeza que atendemos às necessidades do mercado em primeiro lugar”, acentua Palmer.

Então, o que a Synesso enxerga como o futuro do design das máquinas de café espresso? “Eu acho que as pessoas estão começando a se apropriar da personalização/design no nível das cafeterias e as máquinas exclusivas continuarão a crescer. Como um todo, acho que o design das máquinas de espresso continuarão seguindo na direção de equipamentos com afirmações mais ousadas”, afirma Palmer.

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Crédito: Synesso.

Kees van der Westen

Se você já viu uma Mirage, Speedster, ou Spirit, você esteve diante de uma Kees van der Wester. Essa empresa com base na Holanda tem projetado e construído máquinas de café espresso desde 1984. Van der Wester construiu sua primeira máquina de espresso naquele ano como parte de um estudo de desenho industrial na faculdade.

E para ele, o design desempenha um papel enorme. “Em minha opinião, a máquina de espresso precisa ser uma estátua para uma das mais importantes culturas humanas, o saborear de um ótimo café”, diz ele. “Deve ser reconhecida como uma máquina de espresso há uma milha de distância, e não ser confundida com um micro-ondas. Um sinal luminoso em torno do qual amigos se reúnem para obter aquele pontapé tão necessário para seguir vivendo de uma forma otimista”.

Claro, isso não quer dizer que o design supera o desempenho, mas também não deve ser negligenciado. “Uma máquina bonita sem desempenho seria uma fraude completa”, diz van der Westen. “O espresso é um tipo de café de ritmo acelerado. A máquina deve destacar isso tanto na funcionalidade quanto nas suas linhas. A aparência por si só deve convencer que ela está pronta para cuspir milhares de xícaras, mas os aspectos técnicos nunca devem desapontar essas aparências”.

Então, como a van der Westen projeta e constrói uma máquina mova? “Logo no início dos esboços, nada é impossível”, ele me diz. “A mente deve ser capaz de vagar livremente. Posteriormente, os custos precisam ser levados em consideração. Afinal de contas, a máquina precisa ser vendida para que possamos seguir trabalhando. A Holanda é um país caro para fabricar máquinas, e nossos números não são altos. Tudo isso leva a custos altos. Portanto, a única maneira de ter sucesso é honrar o preço com máquinas de alto desempenho, de construção robusta e que sejam sedutoras.”

Design, desempenho e custo: a trindade de considerações da van der Westen.

Quanto ao futuro, van der Western está ao mesmo tempo otimista e triste. Ele vê desenvolvimentos incríveis em design nos próximos anos. “Você já vê máquinas minimalistas, como modelos sob o balcão até aqueles ousados altares do café espresso”, diz ele, “com caixas personalizadas entre eles. Com certeza está claro que todos finalmente percebem que o design adequado também é importante nas máquinas de espresso.”

No entanto, ele também está ciente da tendência para a automação. “Atualmente, tudo aponta na direção de mais automação em prol da consistência perfeita. Os moedores fornecem a quantidade e o tamanho perfeito das partículas para as máquinas que automaticamente infundem, extraem e param precisamente no momento certo. Até a vaporização do leite é lenta, mas seguramente automatizada. O fim natural dessa evolução seriam máquinas super automáticas do grão à xícara.

“Por um lado, eu acho que é uma ideia realmente triste gradualmente eliminar o aspecto humano, embora alguns expliquem que é a forma perfeita para o barista ser um bom anfitrião. Por outro lado, eu aceitaria com felicidade o desafio de projetar uma máquina incrível totalmente automatizada. Certamente há trabalho significativo a ser feito nelas!

Ainda assim, isso tudo é futuro e, agora, van der Westen tem o bastante para mantê-lo ocupado. “Por enquanto, estamos bastante contentes em desenvolver e projetar máquinas tradicionais ainda mais bonitas e de desempenho”, diz ele. 

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Crédito: Kees van der Westen.

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Traduzido por Sandra Sousa.

PDG Brasil

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