22 de maio de 2020

Entendendo o Rótulo da Embalagem de Café Torrado

Então, você quer comprar um delicioso café torrado para beber em casa – mas a compra do café pode ser complicada, especialmente com tantas informações no rótulo. Quando você tem um café da variedade maragogipe, processo lavado, de torra média e do Cerrado Mineiro em uma mão e um grão da variedade catuaí, processamento natural, torra escura, do Sul de Minas na outra, você pode começar a se perguntar: qual é a diferença entre estes cafés?

E, talvez mais importante, como você deve saber qual deles você gosta?

Não tenha medo, porque vamos te ajudar com nosso guia abrangente sobre rótulos de pacotes de café torrado. De variedades a métodos de processamento, de blends a níveis de torra, cobrimos tudo. Continue lendo para descobrir como comprar o melhor café de acordo com suas preferências.

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Crédito: Populace Coffee

Blend vs Single Origin

Um café de “origem única”, ou em inglês, single origin, vem de uma região ou fazenda específica (às vezes chamado de café de “propriedade única”), enquanto um blend é uma mistura de vários cafés. Você também receberá “microlotes“, provenientes de pequenas seções de uma fazenda específica.

Mas por que separar o café dessa maneira? Porque cada café é o resultado de onde e como foi cultivado. Como estamos prestes a ver, o país e a região, os métodos de cultivo e processamento, a variedade de cafeeiros e muito mais afetam o sabor e o aroma da bebida.

As origens únicas tendem a resultar em cafés de alta qualidade, com sabores e aromas únicos – do tipo que os torrefadores não querem esconder misturando-os com outros grãos.

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Um blend, por outro lado, acontece quando um torrefador pensa que dois cafés combinados têm um sabor ainda melhor do que aqueles consumidos separadamente. Talvez eles tenham um grão do Caparaó leve e frutado, mas acham que precisa de uma pitada de corpo para completá-lo. (Os cafés que são focados para espresso são frequentemente, mas nem sempre, blends também.)

Embora as origens únicas sejam normalmente mais respeitadas pelos amantes de café especial (e mais caras), ambos os tipos de café podem ser excelentes. Experimente-os; não rejeite apenas um porque mistura cafés de três regiões diferentes.

Ao mesmo tempo, mergulhe no mundo de origens únicas experimentando café de várias regiões. Experimente um café de Piatã (Bahia), conhecido por sua acidez, equilíbrio e notas de especiarias; depois, compare-o com um café do Norte Pioneiro, que tende a ser doce e bem-encorpado. Em seguida, experimente duas regiões diferentes de Minas- digamos, Matas de Minas e Sul de Minas. Conheça as origens e perfis de café que você ama.

Mas lembre-se, apenas porque uma região tende a ter um perfil específico de café não significa que todos os seus cafés estarão em conformidade com isso. Tenha a mente aberta.

embalagem de café

Crédito: Manki Kim

Nível de Torra

Existem muitos nomes diferentes para o tipo de torra: clara, média, escura, Viena, City Plus, Full City…

Lembre-se de que a torra é um processo que desenvolve os sabores e aromas já existentes nos grãos de café. No entanto, se o mestre de torra prolongar muito a torra, ele criará sabores adicionais que vão se sobrepôr às características do café. Os grãos de torra muito clara podem ter gosto de grama e são azedos. No outro extremo, o grão torrado em excesso é amargo, defumado e desagradável.

Enquanto os amantes de café especial tendem a optar por torras mais leves, a verdade é que a melhor torra dependerá dos próprios grãos, do método de preparo e, é claro, do paladar do consumidor. Vamos ver o porquê.

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Crédito: Ana Valencia

  • Torras Claras – também chamadas de “canela”“blonde” e “City”, enquanto uma “City Plus” geralmente significa uma torra média clara
    Elas são conhecidas por destacar sabores e aromas frutados e ácidos, tornando-as adequadas para cafés que já possuem essas características. Algumas pessoas argumentam que torras claras são menos doces, mas isso nem sempre é verdade. Como o café especial de alta qualidade é apreciado por seu perfil complexo, muitas torrefações optam por torras claras ou médias para destacar isso.
  • Torras ​​Escuras – também chamadas de “Viena” ou “Francesa”, enquanto “Francesa Completa” e “Italiana” se referem a torras muito escuras

Quando você bebe uma torra escura, pode esperar provar o próprio processo de torra. Pense em notas tostadas e amargas e um corpo intenso. As torras escuras podem ter uma má reputação entre os consumidores de café especiais e, às vezes, supõe-se que sejam usadas ​​para encobrir o sabor do café ruim.

  • Torras Médias – também chamadas de “Full City”, enquanto que uma torra um pouco mais escura pode ser chamada de “Full City Plus”
    Por que listamos média após clara e escura, em vez de no meio? Porque a média é definida de várias maneiras pelo que não é – não é clara, tampouco escura. Em vez disso, pense em equilíbrio, suavidade e elementos torrados que não sobrecarregam os sabores naturais do café.
  • Espresso, Filtrado e Omni-torras
    De um modo geral, as torras de café espresso tendem a ser um pouco mais escuras e as torras de filtrado um pouco mais claras. (Isso é diferente, no entanto, das torras escuras e claras.) As omni-torras, por outro lado, foram projetadas para serem adequadas para filtrados e café espresso.

Então, por que o filtrado e o café espresso são torrados de maneira diferente? Porque o café espresso é um método de preparo intenso, adequado para cafés doces e mais encorpados, enquanto o filtrado é geralmente conhecido por sua complexidade.

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Crédito: Methodical Coffee

Método de Processamento

Café não é realmente um grão. É a semente de uma fruta: uma baga, normalmente chamada de “cereja” por sua forma arredondada e aparência vermelha brilhante (mas nem sempre) quando madura. Mas é difícil remover todas as camadas pegajosas dessa fruta, o que significa que máquinas e até a fermentação podem ser usadas para isso. Isso se chama processamento de café, e o método de processamento usado também afetará o sabor do café. É por isso que pode aparecer no rótulo de seu pacote de café.

  • Lavado: a polpa da cereja é removida pela água e os grãos são secos. Esse método adiciona muito poucos sabores ao café, o que significa que você pode realmente provar o perfil natural do café.
  • Natural: o café é seco lentamente sob o sol enquanto ainda está na cereja. Este método oferece um sabor doce e frutado. Quando mal feito, o café pode ser de baixa qualidade e inconsistente. No entanto, quando bem feito, o resultado pode ser delicioso. Também é uma opção ecológica.
  • Honey e Cereja Descascado: esses cafés foram secos com uma quantidade variável de polpa ainda ligada às sementes. Quanto mais polpa estiver presente, maior a doçura e o corpo.

A melhor maneira de entender as diferenças nos métodos de processamento, no entanto, é experimentá-los. Prove um café processado natural e lavado da mesma região ou, melhor ainda, da mesma fazenda. Veja você mesmo que diferença eles têm na xícara.

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embalagem de café

Crédito: Impetus Casa Tostadora de Café

Espécies e Variedades

Nem todos os pés de café são iguais – e eles também não têm o mesmo sabor. As espécies e a variedade podem ter um impacto significativo no sabor final da xícara, então vamos dar uma olhada rápida nas mais comuns.

O café especial tende a ser Arábica, uma espécie conhecida por seu aroma e sabor delicioso. Canephora (cuja variedade mais conhecida é a Robusta) é outra espécie comum; tem um sabor mais intenso e significativamente mais cafeína. E de vez em quando, você pode encontrar espécies menos comuns, como Libérica.

Depois, há as variedades: Caturra, Catuaí, Bourbon, Typica, Geisha/Gesha, Pacamara, Maragogipe … E muito mais. Bourbon tende a ser doce, por exemplo. Geisha/Gesha tende a ter um corpo leve e parecido com um chá, um aroma de jasmim e um sabor complexo.

Depois de provar o impacto do processamento na xícara de café, é hora de começar a prestar atenção nas variedades. Experimente um Bourbon lavado e um Caturra do Cerrado Mineiro. Depois, compare-os com um Bourbon natural de Sul de Minas. A beleza do café especial é como cada café é verdadeiramente único. Existem muitos fatores que afetam o sabor da xícara, mas nós, como consumidores, conseguimos desfrutar e apreciar todos eles.

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grãos de café torrado

Crédito: Nathan Dumalo

Elevação/Altitude

Em alguns pacotes de café, você verá a elevação – frequentemente chamada de “altitude” – em que o café foi cultivado, normalmente medida em metros acima do nível do mar (m.a.s.l., de “meters above sea level”).

Então, por que você deveria se preocupar com isso? Porque quanto mais lenta o cafeeiro cresce, em geral, mais tempo os açúcares têm para se desenvolver no fruto. Isso pode levar a cafés mais doces e complexos.

Ao comparar duas fazendas na mesma região, a de maior altitude tende a ter climas mais frios. Por esse motivo, um m.a.s.l. mais alto foi interpretado como café de melhor qualidade. Tenha cuidado, porém: isso pode facilmente enganá-lo. Lembre-se que 1.100 m.a.s.l. será mais frio no Paraná do que em Minas Gerais, por exemplo.

E então você precisa considerar o impacto das correntes marítimas, padrões de vento e muito mais. Veja as Ilhas Galápagos, que ficam no Equador, mas, a apenas 200 m.a.s.l., têm um clima local frio que cria um café delicioso.

Altitude – é uma informação útil quando entendida no contexto. Use-a para comparar dois cafés da mesma região, mas não anule um café de baixa altitude até que você o experimente. Ele pode surpreendê-lo.

café de el salvador

Crédito: Smalltime Roasters

Fair Trade, Direct Trade, Rainforest Alliance…

Existem tantos certificados de sustentabilidade no café que pode ser difícil saber exatamente o que cada um significa.

Vamos começar com o mais famoso de todos: Fairtrade ou Fair Trade (comércio justo). Isso significa que os produtores de café receberam uma certa quantia acima do preço internacional do café. No entanto, isso não equivale necessariamente a um salário digno.

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UTZ Certified significa que a UTZ trabalha para fornecer treinamento aos produtores de café sobre melhores métodos de cultivo projetados para aumentar a qualidade e o rendimento. Como resultado, a UTZ diz que seus agricultores recebem melhores rendimentos.

Depois, há comércio direto (“direct trade”, em Inglês). Este é realmente um modelo comercial e não um programa de certificação; no entanto, muitos torrefadores que usam esse modelo dizem que ele melhora a sustentabilidade. Envolve a torrefação comprando diretamente do cafeicultor. Esses cafés normalmente são de qualidade excepcional e muitos torrefadores trabalham com os produtores para fornecer feedback e apoio adicionais na melhoria do café.

As torrefações tendem a pagar um preço muito mais alto do que o preço internacional do café e freqüentemente um preço mais alto do que os agricultores UTZ ou Fairtrade recebem no mercado de commodities. No entanto, alguns criticam esse modelo comercial, argumentando que ele não é regulamentado e às vezes pode ser apenas marketing. Ao contrário do Fairtrade e da UTZ, pode ser difícil saber quanto um produtor foi realmente pago por suas colheitas.

O café da Rainforest Alliance foi cultivado de maneira ecologicamente correta e ecológica, minimizando os danos às florestas e cursos de água locais. É importante destacar que em 2017 houve uma fusão entre a UTZ e a Rainforest Alliance, e ambas, apesar de pertencer ao mesmo grupo, continuam utilizando selos próprios.

Cup of Excellence, Coffee of The Year…

Não são apenas as certificações de sustentabilidade que podem aparecer no seu rótulo de café. Você também pode encontrar prêmios de qualidade do café.

O Cup of Excellence é um prêmio que mede a qualidade dos grãos de café, conforme amostra enviada pelo produtor. Isso significa que o perfil de torra não é considerada e, de fato, muitas torrefações podem oferecer esse café específico.

Muitos países produtores têm seus próprios prêmios Cup of Excellence, e assim você pode ver que um café ganhou o Cup of Excellence Colombia ou que uma fazenda ganhou o Cup of Excellence Burundi duas vezes. Você também tem prêmios específicos de cada país, como Best of Panamá e Good Food Awards (EUA).

O Coffee of The Year, por outro lado, é um prêmio desenvolvido no Brasil para o mercado de cafés especiais torrados, que ocorre uma vez por ano em voto aberto ao público, e geralmente durante a Semana Internacional do Café.

É claro que existem muitos outros prêmios de qualidade do café. Mas esses, que são indiscutivelmente os mais famosos, demonstram a diferença mais importante entre eles: alguns celebram o café torrado e outros, o grão verde.

embalagem de café torrado

Crédito: Huckleberry Roasters

Há tantas informações nesse pequeno rótulo de café que às vezes pode parecer demais. Mas lembre-se de que isto existe para ajudá-lo a escolher o melhor café para você. Então vá em frente: reserve um tempo para comparar o método de processamento e a origem. Peça ao barista mais informações. Tente algo novo para ver se você gosta.

Porque é assim que você descobre sua nova bebida favorita.

Traduzido por Ana Paula Rosas.

PDG Brasil

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